quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Mais objetividade no aumento salarial Qua, 17 Out, 08h14

São Paulo, 17 de Outubro de 2007 - Empresas buscam matrizes claras para a verificação do desempenho, aponta pesquisa. Quase todas as empresas (93%) utilizam programas de remuneração variada. Quatro em cada cinco companhias (81%) oferecem planos de participação em lucros e resultados e 56% delas garantem aos funcionários bônus por desempenho. Além disso, maior parte das empresas tem investido na formalização das práticas de administração salarial. Estas são algumas conclusões da Pesquisa de Aumentos Salariais apresentada ontem pela Hewitt Associates, em São Paulo.

Segundo o levantamento, as companhias estão mais seletivas na concessão dos aumentos salariais por mérito. No total, 61% delas adotam matrizes para a verificação objetiva dos desempenhos (em 2005, este índice era de 55%). Para se ter uma idéia da importância que o assunto vem ganhando no meio empresarial, 42% das companhias treinam os gestores para a concessão de aumento (no ano anterior, o índice era de 28%).

Segundo o diretor da área de remuneração da consultoria, Renato Rovina, as empresas não estão criando, mas sim revisando suas metodologias para a concessão de aumentos salariais. "Elas buscam menos subjetividade. Por isso, estão investindo muito em uma forma de diferenciar seus profissionais por seus méritos".

A consultora sênior da Hewitt, Patrícia Hanai, afirma que a abertura de capital é um dos principais motivos que têm levado as companhias a buscarem critérios mais transparentes de promoção e valorização de seus quadros. "Com isso, a personalização neste processo tende a diminuir cada vez mais", acredita.

O levantamento, realizado anualmente pela consultoria em 35 países, entrevistou 345 executivos, de 126 empresas que atuam no País. As companhias consultadas são dos setores de alimentação, agronegócios, automotivo, bens de consumo, comércio (atacado e varejo), eletro-eletrônico, farmacêutico e químico, entre outros. Maior parte das empresas (55%) têm os Estados Unidos como país de origem. Outras 19% são brasileiras, enquanto 7% são francesas e 6%, alemãs.

Percentuais maiores no topo De acordo com o levantamento, os executivos receberam, em média, 7,5% de aumento salarial total em 2007, contra 8% dos profissionais intermediários. Para o ano que vem, a projeção de aumento para os gestores é de 7,6%, contra 7,7% dos profissionais.

Por outro lado, os executivos são os que obtêm maiores aumentos salariais por méritos, na comparação com as demais categorias. Em 2007, estes incrementos salariais para os executivos ficaram entre 3,6% e 15,2%. Já os líderes receberam, no máximo, 14,2% de aumento, contra 14,5% de elevação para os profissionais intermediários.

Os executivos também recebem o maior número de salários múltiplos em relação à sua remuneração mensal. Além dos salários acordados no contrato - a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê 13 salários por ano, mas algumas empresas chegam a pagar 15 -, um presidente recebeu em 2007 um total de 5,7 salários como remuneração variável. Já os diretores receberam 5,1 salários extras, contra 3,1 de gerentes, 1,7 de supervisores e 1,4 de profissionais intermediários.

A pesquisa da Hewitt confirma uma tendência já apontada em trabalhos similares. Um levantamento realizado pela Watson Wyatt junto a 153 empresas de vários setores mostrou que os chamados incentivos de longo prazo (ILPs) ainda são restritos aos níveis hierárquicos mais elevados. Segundo o estudo, divulgado em setembro, atualmente os ILPs estão presentes em cerca de um terço (32%) das companhias consultadas (88% delas, multinacionais).

(Gazeta Mercantil - Marcelo Monteiro)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

A Responsabilidade Social como Estratégia Empreendedora

A Responsabilidade Social tem sido constantemente o alvo de análises no mundo empresarial. E a expressão de compromisso com as causas sociais, está incorporando o modelo de gestão e se tornando estratégia empreendedora de grandes empresas sintonizadas com um mundo globalizado cada vez mais exigente em relação à dinâmica de seus negócios e à sustentabilidade empresarial.
Para que se chegue à clareza do significado de estratégia empreendedora, faz-se necessário analisar alguns conceitos como, por exemplo, planejamento estratégico e empreendedorismo.

Pode-se conceituar planejamento estratégico como o processo de elaboração da estratégia, projetando os objetivos e resultados esperados a longo prazo. A elaboração do planejamento envolve os processos de análise do ambiente e de organização e geralmente, os responsáveis por sua elaboração são os altos executivos da empresa.

Na realidade, o planejamento estratégico ou a administração estratégica, pode ser considerada como uma série de estágios em que a alta administração deve seguir para a efetiva realização das tarefas empreendedoras.

Porém, para que estas tarefas empreendedoras aconteçam de forma eficiente e eficaz, as empresas necessitam de profissionais que façam a diferença, pois, onde algumas pessoas vêem problemas, empreendedores vêem oportunidades.

Pode-se conceituar também o empreendedor como a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem. É um profissional dotado de sensibilidade para os negócios, tinos financeiros e capacidade de identificar oportunidades. Ele deve transformar idéias em realidades, para benefício próprio e para benefício da comunidade.

Os empreendedores não precisam ser inventores e sim criativos. Devem estar em um processo contínuo de exploração, aprendizado e melhoria para o mercado e a sociedade.

Com o objetivo de teorizar as estratégias empreendedoras, descobre-se o conceito de empreendedorismo social. Porém, qualquer definição de empreendedorismo social deve refletir a necessidade de maneira similar à definição de empreendedor de negócios.

Para um melhor entendimento dos pontos que diferem e, ao mesmo tempo, apresentam certa semelhança entre empreendedorismo empresarial e empreendedorismo social, segue algumas características:

• O Empreendedorismo Empresarial é individual, produz bens e serviços, tem o foco no mercado, sua medida de desempenho é o lucro e visa satisfazer necessidades dos clientes e a ampliar as potencialidades do negócio.

• O Empreendedorismo Social é coletivo, produz bens e serviços à comunidade, tem foco na busca de soluções para os problemas sociais, sua medida de desempenho é o impacto social e visa respeitar pessoas da situação de risco social e a promovê-las.

Para os empreendedores sociais a riqueza é apenas um meio para um determinado fim. Já para os empreendedores de negócio, a geração de riquezas é uma maneira de mensurar a geração de valor. Isso ocorre porque os empreendedores de negócio estão sujeitos à disciplina do mercado, o qual na maioria das vezes é quem determina se eles estão mesmo gerando valor. Se eles não alternarem seus recursos para serem usados de forma mais economicamente produtiva, eles tenderão a serem postos de fora do mercado.

O empreendedor social tem como objetivo a obtenção de resultados sociais significativos, produzindo mudanças para melhorar a vida das pessoas, preservando a riqueza da vida humana e renovando as razões de esperança no futuro do mundo.

A importância da responsabilidade social é enfatizada como estratégia empreendedora, pois a atividade empresarial é um instrumento da sociedade e da economia, e estas podem acabar com a existência de uma empresa se acreditarem que ela não executa um trabalho necessário, útil e produtivo.

Tem-se a intenção de comprovar que responsabilidade social não é filosofia, técnica, modismo, gestão, ideologia, mas estratégia empreendedora que transforma uma organização, fazendo com que ela se torne mais competitiva, dinâmica, transparente, humana e ética.
São por meio destes requisitos que a organização consegue o retorno financeiro com um lucro social, além de contribuir para melhoria na qualidade de vida de todos seus stakeholders.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

ATENÇÃO GALERA

NÃO SE ESQUEÇAM DO NOSSO ENCONTRO DIA 28/09/2007
NA PIZZARIA PRIMAVERA A PARTIR DAS 19 :30 HORAS
ATÉ LÁ GALERA!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Espetáculo de texto!!!

De onde virá o grito!!! Num texto anterior introduzi o conceito de "Ressentimentos Passivos ". Para relembrar, lá vai um trecho: "Você também é mais um (ou uma) dos que preenchem seu tempo com ressentimentos passivos"?

Conhece gente assim? Pois é. O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam "que horror". Sabem do roubo do político e falam "que vergonha". Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam "que absurdo". Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem "que baixaria". Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram "que medo". E pronto!

Pois acho que precisamos de uma transição "neste país". Do ressentimento passivo à participação ativa.

Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém.

No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa: abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul.

Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra! Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade"

Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem.

Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é "comunidade".

Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo.

Sabe como é que os "ressentimentos passivos" se transformarão em participação ativa?

De onde virá o grito de "basta" contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil? De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo.

Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem "liga".

Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes. Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa "liga". A mesma que eu vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira.

Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo. Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles.

De minha parte, eu acrescentaria, ainda: "... Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra...".


Arnaldo Jabor